Publicado por: Junior de Bortoli | 18 fevereiro, 2009

EUA pagarão um preço ainda maior se crise imobiliária avançar, diz Obama

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, avalia que todos os americanos estão pagando um preço pela crise hipotecária em curso no país e todos poderão pagar “um preço ainda maior” se a crise avançar. A afirmação foi feita em discurso no Estado do Arizona para anunciar um programa de habitação que prevê beneficiar até 9 milhões de proprietários com dívidas hipotecárias.

“No fim, todo nós estamos pagando um preço por essa crise hipotecária. E todos nós vamos pagar um preço ainda maior se permitirmos que ela se aprofunde”, disse o presidente, onde anunciou as medidas. “Mas se agirmos de modo ousado e rápido para deter essa espiral descendente, todos os americanos vão se beneficiar.” Obama destacou que dissipar este problema que atinge as famílias americanas é dar um passo importante ara recuperar a economia dos EUA.

O pacote para socorrer os mutuários americanos estava orçado inicialmente em US$ 50 bilhões (cerca de R$ 115 bilhões), mas a proposta de Obama prevê um montante de US$ 75 bilhões para financiar, inicialmente, entre 3 milhões e 4 milhões de “proprietários responsáveis”. O governo prevê ainda que a iniciativa impeça uma queda de US$ 6.000 no valor de cada moradia.

O plano do governo para o mercado imobiliário deve facilitar o caminho para que, primeiro, mutuários que têm suas hipotecas com as gigantes do setor Fannie Mae e Freddie Mac refinanciem suas dívidas a taxas mais baixas. O presidente destacou que muitas dessas pessoas hoje têm nas mãos hipotecas com um valor financiado maior que o atual valor de mercado de suas casas.

Segundo dados da agência Moody’s, cerca de 52 milhões de americanos possuem hipoteca. Desses, 13,8 milhões, ou aproximadamente 27% do total, têm hipotecas cujos valores superam o preço de suas casas. “Essas famílias não conseguem vender suas casas e não conseguem refinancia-las. Dessa forma, no caso de uma perda de emprego, as opções ficam limitadas”, disse. As duas empresas passarão a poder refinanciar hipotecas de mutuários que devem 80% do valor do imóvel –o que até o momento não era permitido. “Meu plano é remover essa restrição para que elas possam refinanciar hipotecas que já estão sob sua garantia”, disse Obama.

O governo pretende ainda com o novo plano criar incentivos para que credores e mutuários possam modificar os termos dos financiamentos “subprime” (de clientes de maior risco) de imóveis em risco de inadimplência e despejos. Segundo Obama, esse tipo de financiamento representa apenas 12% do total de hipotecas, mas responde por mais de 50% dos despejos.

Segundo o presidente, a falta de um procedimento padrão para atender quem busca a renegociação da dívida também é um obstáculo para a solução do aumento da inadimplência. Obama lembrou que, quando famílias com hipotecas “subprime” procuram os credores para renegociar suas dívidas, acabam envolvidas em “um labirinto de regras mas raramente encontram soluções”. “Algumas empresas querem renegociar; outras não. A possibilidade de reestruturar sua dívida depende do local onde você mora, da empresa que garante sua hipoteca ou mesmo do agente que por acaso atenda o telefone no dia em que você ligar”, afirmou.

Nesse sentido, o governo deve, em duas semanas, apresentar diretrizes para padronizar o procedimento de renegociação dos financiamentos. “Qualquer instituição que deseje receber assistência financeira do governo e modificar os termos de hipotecas residenciais, terá de fazer isso segundo essas diretrizes”, disse Obama.

Além disso, o programa estabelece que as empresas que participarem terão de reduzir os pagamentos mensais de seus mutuários a “não mais que 31% de seus salários”. “Isso vai capacitar de 3 milhões a 4 milhões de proprietários a modificar os termos de suas hipotecas a fim de evitar o despejo”, afirmou.

As duas partes envolvidas terão de fazer concessões, diz o presidente em seu pronunciamento. “Quem empresta terá de reduzir as taxas de juros e arcar com os pagamentos mensais reduzidos a fim de evitar outra onda de despejos. Os mutuários terão de fazer os pagamentos em dia em troca da oportunidade de reduzir esses pagamentos.”

Fonte: Folha Online

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